Entre a covardia e a coragem na política

Hoje vamos conversar sobre duas formas de fazer política. A forma que tem a covardia como base de suas ações e a forma que tem como pilar a coragem.

Nas rodas de conversas ouvimos e falamos que a política é um espaço traiçoeiro e que a lógica do mais “esperto” muitas vezes prevalece. Essa logica é permeada por atitudes que nem sempre tem a honestidade e a lealdade aos princípios democráticos como base de suas ações. Bem, é dessa forma que a política também é vendida pelos meios de comunicação e praticada por muitos “políticos”. A principal característica desse tipo de política é a covardia. É dessa forma de fazer política que começaremos nossa conversa.

Esse tipo de covardia pode ser exercida de diferentes maneiras. Uma delas é a mentira. Para esse tipo de político é preciso mentir para ganhar, é preciso fazer que o outro não perceba o que ele realmente quer. Joga, portanto, na divisão, na contenda e na construção do caos. É na bagunça que ele ganha força.

Uma outra forma de covardia é percebida claramente quando, um determinado tipo de político, só consegue enxergar importância nos seus próprios atos. A política só tem solução caso ele esteja no poder ou ainda pior, esse tipo de político é tão bom que não precisa conversar com quem o elegeu, com seu partido e com sua militância.

Por que estou chamando essas formas de fazer política de covardia e por que é tão fácil pratica-la? Porque é fácil destruir o outro. É fácil enganar. Este é o caminho mais fácil para um político despreparado conseguir o que quer. Mas já fiz o leitor perder muito tempo tentando entender o que é a covardia na política.

Afinal, onde está a coragem na política?

A primeira e a mais importante característica da coragem na política é ouvir o diferente. Colocar suas próprias ideias em cheque. Perceber que o mundo é muito maior e que existem muitas maneiras distintas de atingir o bem. É construir planos em conjunto com a sociedade.

Uma outra característica da coragem é não desistir diante a uma estrutura construída para premiar a covardia. Infelizmente vivemos um momento no Brasil que determinados grupos políticos têm investido na cultura do medo para vender soluções simples para problemas tão complexos. A coragem reside em atitudes que vão além do achismo, do simplismo. A política e a gestão pública não são para amadores. É preciso capacidade técnica, é preciso capacidade de escuta para encontrar no outro soluções inteligentes e viáveis.

O que diferencia a coragem da covardia é a escolha do caminho a percorrer. Enquanto a covardia decide por atalhos e pelas facilidades advindas dos seus próprios interesses, a coragem escolha o planejamento, o diálogo, o trabalho em conjunto e a transparência. A política corajosa leva em consideração o que cada um de nós pensamos, o que cada um de nós queremos.

Como um político consegue praticar a forma corajosa de fazer política? Simples, o agente político precisa ser transformado em um elo para a participação. O político precisa entender que o significado da representação não é representar seus próprios interesses. Os políticos que aí estão e que virão, precisam compreender que representar o cidadão é saber articular saberes, conhecimentos e pessoas de todas as correntes. Entender que a política não é um jogo de duas torcidas rivais, mas o encontro de grandes ideias para construir um bairro e uma cidade cada vez melhores para todos.

Acredito que esse seja o grande desafio para os próximos anos. Encorajar, ensinar, incentivar e fortalecer a participação política. A política precisa, urgentemente, se conectar com o mundo. As suas histórias, diferenças, divergências e problemas é que nos ensinam o tempo todo a como lidar com principais problemas que nossas cidades estão vivendo.

Por José Antônio da Silva Júnior

 

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